Novo edital da Câmara dos Deputados deve contemplar áreas de Comunicação Social, Documentação e Informação Legislativa, Engenharia, Museologia e Registro e Redação; confira requisitos e como foram as seleções anteriores
O novo concurso da Câmara dos Deputados está cada vez mais próximo e deve trazer oportunidades em diferentes áreas de nível superior. Enquanto o edital ainda não é publicado, os candidatos podem utilizar os concursos anteriores como referência para conhecer requisitos, disciplinas e etapas que já foram cobradas pela Casa.
O terceiro edital da Câmara previsto para 2026 contemplará as áreas de Comunicação Social, nas especialidades de Divulgação Institucional, Jornalismo e Relações Públicas; Documentação e Informação Legislativa, para Arquivista e Bibliotecário; Engenharia, nas áreas Civil, Elétrica, Eletrônica/Telecomunicações e Mecânica; Museologia; e Registro e Redação.
Enquanto as regras da nova seleção não são divulgadas, os editais anteriores ajudam a entender o perfil histórico das avaliações e as exigências adotadas pela Câmara. Vale destacar, no entanto, que requisitos, disciplinas, etapas e demais regras poderão sofrer alterações no próximo edital.
Comunicação Social: último concurso foi realizado em 2007
Para quem aguarda oportunidades na área de Comunicação Social, é preciso voltar a 2007 para encontrar o último concurso da Câmara dos Deputados para essas especialidades.
Naquele ano, o Edital nº 8 abriu concurso para Analista Legislativo, atribuição de Técnico em Comunicação Social. Entre as áreas oferecidas estavam Divulgação Institucional, Relações Públicas e Imprensa Escrita, esta última destinada a profissionais com formação em Jornalismo.
Divulgação Institucional
No concurso de 2007, a área de Divulgação Institucional exigia diploma de graduação de nível superior em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda ou Propaganda e Marketing, além do registro indicado pela legislação vigente à época.
Entre as atribuições estavam criação, redação, revisão e execução de peças publicitárias; desenvolvimento de soluções de comunicação institucional; elaboração de campanhas; atendimento a demandas por meio de briefing; definição de estratégias e planos de mídia; e acompanhamento da produção gráfica e audiovisual.
A seleção contou com prova objetiva, prova prática e avaliação de títulos.
Na prova objetiva, foram cobradas:
- Língua Portuguesa: 15 questões, com peso 2;
- Língua Inglesa: 8 questões;
- Língua Espanhola: 8 questões;
- Legislação: 8 questões;
- Conhecimentos Gerais: 6 questões; e
- Conhecimentos Específicos: 35 questões, com peso 2.
A prova objetiva teve duração de quatro horas. Os candidatos habilitados também passaram por prova prática, de caráter eliminatório e classificatório, e avaliação de títulos, de caráter classificatório.
Relações Públicas
Também presente no concurso de 2007, Relações Públicas exigia diploma de graduação de nível superior em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, além do registro profissional previsto nas regras daquele edital.
As atribuições envolviam comunicação estratégica, dirigida e integrada; planejamento de projetos de comunicação institucional; campanhas para públicos interno e externo; pesquisas de opinião; eventos institucionais; produção de newsletters, releases, boletins, jornais e revistas institucionais; além de atividades relacionadas ao Cerimonial Público.
A seleção foi composta por prova objetiva, prova discursiva e avaliação de títulos.
Na objetiva, foram cobradas:
- Língua Portuguesa: 15 questões, com peso 2;
- Língua Inglesa: 8 questões;
- Língua Espanhola: 8 questões;
- Legislação: 8 questões;
- Conhecimentos Gerais: 6 questões; e
- Conhecimentos Específicos: 35 questões, com peso 2.
A prova objetiva teve quatro horas de duração, enquanto a etapa discursiva contou com três horas. A avaliação de títulos teve caráter classificatório.
Jornalismo: último edital utilizou a denominação Imprensa Escrita
No concurso de 2007, a Câmara não utilizou exatamente a denominação “Jornalismo” entre as áreas de Técnico em Comunicação Social. Uma das especialidades diretamente relacionadas à formação foi a Imprensa Escrita, cujo requisito era diploma de graduação de nível superior em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, além do registro profissional exigido pelo edital.
As atividades incluíam cobertura de pautas jornalísticas de interesse da Câmara, realização de entrevistas, produção de notas informativas, elaboração de pautas e produção e edição de jornais e revistas impressos ou eletrônicos.
Para Imprensa Escrita, a prova objetiva contou com:
- Língua Portuguesa: 17 questões, com peso 2;
- Língua Inglesa e Espanhola: 10 questões;
- Legislação: 20 questões;
- Conhecimentos Gerais: 6 questões; e
- Conhecimentos Específicos: 35 questões, com peso 2.
A seleção também contou com prova prática e avaliação de títulos.
Apesar da diferença de nomenclatura, o edital de 2007 funciona como importante referência histórica para os candidatos que pretendem concorrer à área de Jornalismo na nova seleção.
Arquivista e Bibliotecário: último concurso também foi em 2007
As áreas de Arquivologia e Biblioteconomia também estão há vários anos sem uma nova seleção específica na Câmara dos Deputados.
Em 2007, as oportunidades integraram a atribuição de Técnico em Documentação e Informação Legislativa, dividida entre Área I – Bibliotecário e Área II – Arquivista.
Arquivista
Para Arquivista, o edital exigiu diploma de graduação de nível superior em Arquivologia ou habilitação legal equivalente, além do registro profissional previsto pela legislação vigente naquele período.
As atribuições envolviam planejamento, supervisão, coordenação e execução de atividades relacionadas à pesquisa, análise, recuperação e divulgação da informação; gestão, guarda e utilização do acervo documental; conservação e restauração de documentos; expurgo e descarte de documentos; e aplicação de métodos e técnicas de pesquisa em informação.
Bibliotecário
Para Bibliotecário, o concurso exigiu diploma de graduação de nível superior em Biblioteconomia ou habilitação legal equivalente, além do respectivo registro profissional, conforme as exigências estabelecidas pelo edital da época.
As atividades do cargo estavam relacionadas ao tratamento, organização, recuperação, preservação e disponibilização da informação e dos acervos sob responsabilidade da Câmara, de acordo com as atribuições previstas para a área de Documentação e Informação Legislativa.
Como foram as provas?
Bibliotecários e arquivistas enfrentaram estrutura semelhante de avaliação, com diferenciação nos conhecimentos específicos de cada especialidade.
A prova objetiva teve:
- Língua Portuguesa: 15 questões, com peso 2;
- Língua Inglesa e Espanhola: 8 questões;
- Legislação: 8 questões;
- Processo Legislativo: 13 questões;
- Informática: 10 questões;
- Conhecimentos Gerais: 6 questões; e
- Conhecimentos Específicos: 40 questões, com peso 2.
Além da objetiva, houve prova discursiva, que consistiu na elaboração de resumo de texto, e avaliação de títulos, de caráter classificatório.
Dessa forma, o último edital combinou conhecimentos técnicos de cada especialidade com conteúdos relacionados ao funcionamento do Poder Legislativo, Língua Portuguesa, idiomas e Informática.
Engenharias: último concurso ocorreu em 2012
Para Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Eletrônica/Telecomunicações e Engenharia Mecânica, o último concurso específico da Câmara dos Deputados foi realizado em 2012, sob organização do então Cespe/UnB.
O Edital nº 1, de março de 2012, contemplou as quatro especialidades. Considerando as vagas gerais e as reservadas previstas no edital, foram:
- Engenharia Civil: 6 vagas;
- Engenharia Elétrica: 4 vagas;
- Engenharia Eletrônica/Telecomunicações: 6 vagas; e
- Engenharia Mecânica: 3 vagas.
Para todas as áreas, foi exigido diploma de graduação de nível superior em Engenharia correspondente à especialidade escolhida, fornecido por instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), além do registro profissional no órgão responsável pela fiscalização do exercício da profissão.
Entre as atividades previstas estavam elaboração e acompanhamento de projetos e especificações de obras, reparos, reformas e ampliação dos espaços da Câmara; elaboração de especificações de equipamentos e materiais; estudos de viabilidade técnico-econômica; elaboração de orçamentos; vistorias, perícias, avaliações, laudos e pareceres técnicos; fiscalização de obras e serviços; e assessoramento técnico.
Como foram as provas de Engenharia?
Os candidatos passaram por provas objetivas, prova discursiva e avaliação de títulos.
A primeira prova objetiva teve 100 itens de Conhecimentos Básicos, com peso 1, enquanto a segunda contou com 80 itens de Conhecimentos Específicos, com peso 2. Juntas, as duas avaliações somavam até 260 pontos.
A banca adotou o modelo Certo ou Errado. Nos Conhecimentos Básicos, cada resposta correta valia 1 ponto, enquanto uma resposta incorreta retirava 1 ponto. Nos Conhecimentos Específicos, o acerto valia 2 pontos e o erro representava a perda de 2 pontos.
Já a prova discursiva valia 180 pontos e consistia na elaboração de três estudos de caso, com até 30 linhas cada, relacionados aos conhecimentos específicos da respectiva área de Engenharia.
A avaliação considerava tanto o domínio do conteúdo técnico quanto a capacidade de expressão escrita, estrutura textual e utilização da norma culta da Língua Portuguesa.
O concurso também contou com avaliação de títulos.
Museologia: último edital foi publicado em 2012
Outra área contemplada na próxima seleção é Museologia. O último concurso da Câmara para Analista Legislativo, Museólogo foi aberto pelo Edital nº 1, de 30 de julho de 2012, com duas vagas.
Na época, o requisito era diploma de graduação de nível superior em Museologia, fornecido por instituição reconhecida pelo MEC, ou outra habilitação prevista no artigo 2º da Lei nº 7.287/1984.
Entre as atribuições estavam planejamento, organização e supervisão de museus e exposições; conservação, preservação e divulgação de acervos; identificação, classificação e cadastramento de bens culturais; pesquisas sobre acervos museológicos; definição de espaços adequados para guarda e exposição de coleções; realização de perícias; consultoria e assessoria na área; e desenvolvimento de atividades educativas e culturais.
Como foram as provas para Museólogo?
A seleção contou com:
- prova objetiva de Conhecimentos Básicos;
- prova objetiva de Conhecimentos Específicos;
- prova discursiva; e
- avaliação de títulos.
A primeira objetiva teve 100 itens de Conhecimentos Básicos, com peso 1, enquanto a segunda reuniu 70 itens de Conhecimentos Específicos, com peso 2. Juntas, as avaliações objetivas valeram 240 pontos.
Assim como em outras seleções organizadas pelo Cespe/UnB, novo Cebraspe, os itens seguiram o modelo de julgamento Certo ou Errado, com pontuação negativa para respostas em desacordo com o gabarito.
A prova discursiva valia 140 pontos e consistia na elaboração de dois estudos de caso, de até 30 linhas cada, relacionados aos conhecimentos específicos de Museologia.
Também houve avaliação de títulos, com pontuação máxima de 20 pontos. Entre os títulos considerados estavam formação acadêmica adicional, especialização, mestrado, doutorado, cursos de extensão, experiência profissional, docência, aprovação em concurso público e produção acadêmica na área.
Registro e Redação: Taquígrafo Legislativo foi selecionado em 2012
Para a área atualmente anunciada como Registro e Redação, relacionada às atividades de apanhamento taquigráfico e revisão dos debates legislativos, um dos principais antecedentes é o concurso de 2012 para Taquígrafo Legislativo.
Naquele edital, foram oferecidas 14 vagas. Para concorrer, era exigido diploma de graduação de nível superior em qualquer área de formação, fornecido por instituição reconhecida pelo MEC, ou habilitação legal equivalente.
As atribuições incluíam o registro e a decifração de notas taquigráficas de discursos, depoimentos, exposições, conferências e debates realizados no Plenário, nas comissões da Câmara e do Congresso Nacional, além da transformação desse conteúdo em texto com correção ortográfica e sentido lógico, preservando o estilo e o pensamento do orador.
Seleção teve duas provas práticas
O concurso para Taquígrafo Legislativo contou com uma estrutura bastante específica.
Na etapa objetiva, foram aplicados:
- 70 itens de Conhecimentos Básicos, com peso 1; e
- 60 itens de Conhecimentos Específicos, com peso 2.
As provas objetivas totalizavam até 190 pontos e seguiam o sistema Certo ou Errado.
Depois, os candidatos classificados enfrentavam uma prova prática de análise textual, valendo 120 pontos. Nessa etapa, era apresentado um texto em Língua Portuguesa contendo erros que deveriam ser identificados e corrigidos pelo candidato.
Havia ainda a prova prática de apanhamento taquigráfico, com valor de 160 pontos.
A avaliação era dividida em duas partes. Na primeira, o candidato precisava realizar apanhamento taquigráfico durante cinco minutos, a partir de um ditado com velocidade progressiva de 105 a 110 palavras por minuto, e posteriormente fazer a tradução digitada do conteúdo.
Na segunda, eram mais cinco minutos de apanhamento, dessa vez com velocidade média de 110 palavras por minuto, novamente seguidos da tradução digitada.
Na correção, eram considerados erros como omissões, acréscimos e substituições de palavras, além de problemas de ortografia, pontuação, colocação pronominal, regência, crase e concordância.
O formato mostra o caráter prático que marcou a seleção para Taquígrafo Legislativo. No entanto, somente o novo edital poderá confirmar como serão avaliados os candidatos às atividades de Registro e Redação no próximo concurso.
Concursos anteriores podem orientar a preparação
Os editais anteriores mostram que algumas das áreas previstas para a nova seleção da Câmara dos Deputados estão há muitos anos sem receber novos concursos específicos.
Comunicação Social, Arquivista e Bibliotecário tiveram seleções em 2007, enquanto as Engenharias, Museologia e Taquígrafo Legislativo apareceram em concursos realizados em 2012.
O histórico também demonstra o elevado nível de especialização das avaliações. Os Conhecimentos Específicos tiveram peso relevante e, dependendo da área, os candidatos também enfrentaram provas discursivas, práticas e avaliações de títulos.
Apesar de servirem como referência, os documentos antigos devem ser analisados com cautela. As regras do próximo concurso somente serão confirmadas com a publicação do novo edital, inclusive em relação aos requisitos, registros profissionais, disciplinas, formato das provas, atribuições e nomenclatura dos cargos.
Até lá, conhecer o perfil das seleções anteriores pode ajudar os candidatos a direcionar os estudos e iniciar a preparação com antecedência.
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Concursos anteriores podem orientar a preparação
Os editais anteriores mostram que algumas das áreas previstas para a nova seleção da Câmara dos Deputados não recebem vagas há quase duas décadas.
Comunicação Social, Arquivista e Bibliotecário tiveram concursos em 2007, enquanto Engenharia, Museologia e Taquígrafo Legislativo apareceram em seleções realizadas em 2012.
Os históricos também mostram concursos com elevado nível de especialização. Conhecimentos específicos tiveram peso relevante nas seleções anteriores e diversas áreas contaram com etapas discursivas, práticas e avaliações de títulos.
Por outro lado, o candidato deve ter cautela ao utilizar os editais antigos. As regras do próximo concurso somente serão confirmadas com a publicação do novo edital, inclusive em relação à escolaridade, registro profissional, disciplinas, formato das provas e atribuições de cada especialidade.
Até lá, analisar os últimos concursos pode ser uma estratégia para conhecer o perfil histórico das seleções da Câmara e começar a preparação com antecedência.
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