Esther Dweck afirmou que o Concurso Nacional Unificado pode passar a ser realizado a cada dois anos ou até anualmente. Entenda a proposta!
O Concurso Nacional Unificado (CNU) poderá ganhar uma periodicidade definida caso o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha um novo mandato. A possibilidade foi apresentada pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que considera a realização do certame a cada dois anos ou até mesmo anualmente.
A proposta prevê reunir diferentes carreiras em uma mesma edição, com uma quantidade menor de vagas para cada cargo. O objetivo é promover uma reposição mais frequente dos servidores públicos federais, evitando que os concursos sejam realizados apenas após longos períodos.
Segundo a ministra, o modelo já é adotado pelo Itamaraty, que realiza seleções de forma mais contínua para manter a reposição da força de trabalho.
CNU poderá contar com estados e municípios
A possibilidade de realização anual do CNU pode ganhar força caso estados e municípios passem a participar do concurso. Com a inclusão das três esferas de governo, seria possível ampliar o número total de oportunidades oferecidas em cada edição, mesmo com uma quantidade menor de vagas destinada individualmente a cada carreira.
A participação de estados e municípios ainda está em análise. O Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração já solicitou a adesão ao modelo, enquanto um grupo de trabalho avalia de que forma essa integração poderá ser realizada.
Em um primeiro momento, a ideia é compartilhar a estrutura logística das provas, medida que pode contribuir para a redução de custos e para o aumento da segurança durante a aplicação. Posteriormente, também está sendo estudada a possibilidade de integração das provas por áreas.
Intervalos longos entre concursos preocupam
Na avaliação apresentada pela ministra, a realização de concursos com intervalos muito extensos pode comprometer a continuidade dos serviços públicos.
Dweck destacou que a aposentadoria de uma geração inteira de servidores em um curto período pode provocar a perda de conhecimento acumulado. Com isso, o serviço público precisa reconstruir gradualmente sua experiência e capacidade de atuação.
A entrevista em que a ministra falou sobre o futuro do CNU foi concedida à Exame.
Inteligência artificial deverá influenciar novas contratações
Outro ponto que deverá ser considerado no planejamento dos próximos concursos é o avanço da inteligência artificial na administração pública.
De acordo com Esther Dweck, o governo já conta com mais de 180 soluções de inteligência artificial em funcionamento, enquanto aproximadamente 700 projetos estão em desenvolvimento.
Nesse cenário, a necessidade de novos servidores não será calculada apenas com base na quantidade de pessoas que deixaram o serviço público. A transformação provocada pela digitalização também deverá ser considerada para definir quais profissionais serão necessários nos próximos anos.
A ministra citou que cerca de 44 mil pessoas deixaram o serviço público federal durante o governo de Jair Bolsonaro, mas ressaltou que a reposição não necessariamente precisará alcançar o mesmo número.
O perfil dos futuros servidores também deverá mudar, com maior valorização da capacidade de aprendizagem, da atualização profissional contínua e do domínio de ferramentas digitais.
Educação e Meio Ambiente estão entre as áreas prioritárias
Entre os setores que apresentam maior necessidade de novos servidores estão a Educação e o Meio Ambiente.
Na área educacional, a demanda está relacionada à expansão dos institutos federais, campi e universidades. Já no Meio Ambiente, a necessidade de reforço do quadro também aparece entre as prioridades citadas pela ministra.
A área administrativa também foi destacada, principalmente em razão da criação da carreira de Analista Técnico do Poder Executivo.
Além dessas áreas, as chamadas carreiras transversais e os setores relacionados ao combate a desastres, incluindo a Defesa Civil, também devem demandar novos profissionais.
O planejamento deverá considerar servidores com capacidade para atuar em diferentes áreas e acompanhar as transformações tecnológicas e administrativas do serviço público.
Digitalização dos serviços também está entre as prioridades
Além da política de concursos, Esther Dweck apontou outras frentes que poderão receber atenção em um eventual novo mandato.
Entre elas estão a digitalização dos serviços públicos, a integração de bases de dados e a oferta de serviços mais personalizados e proativos aos cidadãos.
A ministra também citou a intenção de ampliar os pontos presenciais de atendimento, seguindo uma proposta semelhante ao modelo do Poupatempo, além de avançar na criação de um aplicativo único do GOV.BR.
A ideia é combinar os canais digitais com o atendimento presencial, permitindo alcançar cidadãos com diferentes níveis de acesso e familiaridade com ferramentas digitais.
CNU periódico ainda depende de novos estudos
Apesar da possibilidade de o CNU passar a ser realizado de forma periódica, a proposta ainda não está definida.
A implementação dependerá das decisões de um eventual próximo governo e da conclusão dos estudos sobre a participação de estados e municípios no modelo.
Para quem está de olho no serviço público federal, acompanhar as próximas movimentações sobre o CNU é fundamental.
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